De casa pro cursinho, do cursinho pra casa... Essa é, basicamente, a rotina de uma raça chamada "vestiba". Quem passou por isso sabe como é, e há de concordar comigo. Durante um ano - ou mais, para alguns - a vida social se resume às conversas com os concorrentes durante os intervalos das aulas, e nos grupos de estudos. Nervos à flor da pele, ansiedade a mil, e um único pensamento: que tudo aquilo termine logo, especialmente se for para fechar com a chave da aprovação no vestibular desejado.
Aulas, revisões, simulados, mais aulas, e tudo... Tudo é motivo para trazer à memória algum conteúdo visto em sala. Uma gripe já é suficiente para repassarmos mentalmente como agem os vírus; uma samambaia avistada no caminho (para o cursinho, obviamente) já nos refresca a memória sobre as pteridófitas; frases aleatórias nos fazem lembrar os macetes bobos passados pelos professores, que desesperadamente tentam empurrar para dentro de nossas cabeças toda aquela decoreba.
Muitas vezes, privados de fazer as coisas que mais gostamos, e que estávamos acostumados antes de entrar para este universo paralelo, passamos a encarar as dificuldades - pequenas, comparadas à grande recompensa que nos espera - de um modo exagerado. As barreiras crescem aos olhos, chegando até mesmo a serem vistas como intransponíveis, vez ou outra. Impossível mesmo é escapar ileso de uma experiência como essa. Possível, por outro lado, é transformar estas feridas em amadurecimento, e aprender a crescer com elas.
No final, independente de quanto tempo leve, fica claro que todo esforço foi válido. O sabor da vitória e o sentimento de dever cumprido se sobrepõem a qualquer gosto amargo que pode ter surgido durante a trajetória. O grito de "passei" soa mais alto do que qualquer reclamação e lamento, e o sentimento que ecoa é o de que tudo valeu a pena.

Os vestibulandos agradecem! Muito bom como sempre!
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